PEGAÇÃO – Eulálio

Eulálio estava conversando com o amigo Maurício, quando as primas se juntaram a ele:

– Lio, você não viu a gente ainda? – disse Bianca de supetão.

– O quê? – assustou o garoto.

Ele beijou as primas, exasperado. Não sabia que elas viriam. Apenas achou que encontraria Suzana. Ao pensar na outra prima, notou que ela estava discutindo a relação com um cara numa outra ponta da festa:

– O que está acontecendo com Suzana? Ele está segurando ela firme. – perguntou ele.

– Ela deve ter aprontado como sempre. Suzana é muito arisca. – completou Camila.

– Eu acho que lembro dele do penúltimo jantar da vovó. – falou Bianca.

– Realmente. Bem que ele me parece familiar. Acho que ele é engenheiro também. – acrescentou Eulálio.

– Nem me lembre desses jantares. Nem apareci no último evento de Dona Lina. – dispersou Camila.

Quando o silêncio se instalou, Eulálio se recordou que não apresentou as primas ao amigo. Eles se entrosaram rapidamente. Porém, ele queria que Maurício chegasse em Bianca. Faria um bem pra ela dar uns amassos. Só que o colega estava mais propenso a ficar com Camila. A fim de realizar o que queria, chamou Mila pra pegar umas bebidas para o grupo.

Enquanto enfrentavam a fila, Eulálio teve uma grande surpresa. Catarina estava na festa, acompanhada das amigas. Rapidamente ele se encheu de esperanças. Era uma oportunidade perfeita para, enfim, poder ficar com ela:

– Camila, você pode levar as bebidas pra eles? Tenho de ir a um lugar. Agora.

Antes que ela dissesse algo, ele já tinha saído. Como não tinha tempo a perder, foi diretamente ao grupo. Se apresentou beijando todas as garotas, deixando Catarina por ultimo. Ela ficou assustada e sem graça. Na hora, ele pensou que fosse timidez. Depois iria entender do que se tratava.

Meio sem jeito, ela pediu licença às amigas e se retirou com Eulálio. Eles foram até uma área mais afastada, perto de umas árvores que, em dias de aula, serviam como sombrinhas para os que liam ou conversavam na Engenharia:

– O que foi isso? – disse Catarina, olhando para os lados. – Eu não sabia que você estaria aqui. Muito menos que pudesse ser tão… ousado!

– Acho que nem eu sabia disso. Eu só queria não perder mais tempo. – Eulálio falou, chegando mais perto dela, segurando em sua cintura. – Esse jogo de olhares, de suposições… Já me cansei.

Suspirando alto, ela se afastou. Deu as costas a ele:

– E as conversas? Eu não sei nada de você, a não ser que é um Bersani.

– Isso não basta?

– Claro que não! – ela disse ríspida. – Não vou me envolver sem saber quem você é? Quem você pensa que sou?

– Desculpa. Fiquei empolgado. Vou deixar você com suas amigas. Serei mais cauteloso da próxima vez.

Ele virou as costas, se retirando. Ela, em dúvida, correu até ele. Pegando pelos braços, fez com que parasse e olhasse pra ela:

– Fiquei surpresa com seu gesto. Não se vá. Vamos conversar em outro lugar.

Eulálio e Catarina foram para uma área oposta ao estacionamento. Passaram pelo meio da festa e pegaram bebidas. Eles se sentaram numa escadaria que dá para um patamar mais abaixo, do Instituto de Ciências Exatas. Estava mais escuro e mais frio. Ela se sentou bem perto dele, com pernas e braços se encontrando.

Eles conversaram sobre estudos e futuro. Catarina fazia medicina numa faculdade particular. Era a queridinha por ser a caçula e a futura única médica da família. Eulálio contou da Administração, mas não revelou que era estagiário na empresa dos Bersani’s. Ela relatou as inúmeras viagens ao exterior, discutiram filmes. Em vários momentos um clima cresceu entre os dois, mas Catarina se esvaia:

– Estou ficando com sono. Podemos voltar à festa? – ela propôs.

Assim que se levantaram, Eulálio decidiu que marcaria ainda mais aquele topo de escada. Agarrou-a num ato rápido e buscou os lábios dela. De súbito, ela se retraiu e abaixou a cabeça. Assustado, ele a largou:

– Não faça isso! Eu tenho namorado.

– Como? Você… namora? – ele perguntou incrédulo.

– Eu não tenho coragem de traí-lo.

– Você não quer magoá-lo, mas vale a pena brincar comigo? Me usar pra se sentir bem? Me esquece, Catarina.

Eulálio saiu como uma bala. Ela tentou segurá-lo de novo, mas foi em vão. Ao retornar à festa, ele procurou e avistou uma garota de nome Sheila, amiga de Maurício, que tinha uma queda por ele. Sem perder tempo, ele se aproximou, trocaram meias palavras, ficaram sozinhos e a pegação rolou. Ele fez questão de mostrar a uma assustada Catarina o quanto poderia ser esnobe como ela tinha sido na mente dele. Dava beijos de olhos abertos, focando-a.

Buscando apenas um meio de usar e se vingar, Eulálio acabou despertando mais desejo em Catarina. Tudo saiu com efeito contrário. Como uma bola de neve, o sentimento de ambos só iria se intensificar. O problema seriam as outras pessoas a serem envolvidas. Um relacionamento a dois já é difícil, com outros integrantes tornar-se-ia imprevisível.

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