COMPETIÇÃO – Suzana

– Você está mordendo os lábios? Pra que tanto mau humor? – Sandro debochou.

Suzana virou o rosto para o vidro e fechou os olhos. ‘Abstraia’, sussurrou a si mesma:

– Quem disse que você precisa correr mais uma vez? Eu descolo uma medalha pra você, se isso é tão importante. – continuou o irmão. – Você queria dirigir e ficou me apressando, nem pude ter minha foda matinal. Acho que você tem que se colocar no seu lugar de mulher e irmã mais nova.

Aquilo bastou:

– E você deveria ser mais respeitoso, que tal? Ou é muito pra sua pouca capacidade? Eu quis vir dirigindo porque você deve estar cansado, pois ficou fodendo a noite toda. Apressei porque combinamos de ir juntos, já que meu carro está no conserto. Estou arrependida por querer ser ecológica e economizar. Deveria ter vindo de taxi. Assim, antes de você chegar à corrida, poderia dar a foda matinal na porta da casa dela. Que lugar deplorável ela mora. Depois quer que eu não comente.

– Do jeito que te conheço, isso é abstinência. Você não pode ser homem, você não pode ser pegador como nós. Por isso, para seu bem, falo para se colocar no seu lugar de mulher, de submissa.

Suzana virou e o olhou da maneira mais arrepiante e enervante possível. Sandro desviou por estar dirigindo. Caso contrário, não aguentaria meio segundo e ficaria arrependido.

Ao chegarem, Suzana bateu a porta do carro e dispensou o irmão. Disse a ele que voltasse sozinho, ela se arranjaria. Com raiva, nervosa e sem concentração, Suzana pôs-se a alongar rapidamente. Queria comer uma barra de cereal e ir ao banheiro antes de se posicionar.

Enquanto se esticava, notou que um homem a olhava. Sem paciência para o sexo masculino, disparou:

– Isso é assédio. Eu vou chamar a segurança.

– Posso alegar que fui provocado! – ele rebateu com inocência, enquanto Suzana fazia uma cara de incrédula. – Sua calcinha vermelha está aparecendo. Me desculpe, é uma peça muito sexy, de renda. Com a luz do dia, dá pra ver todos os contornos.

Suzana se reparou e constatou que ele estava certo. Toda a sensualidade transparecia nela:

– Você pode ser a miss competidora ousada da Corrida das Empresas Bersani. – ele debochou.

Em outra situação, Suzana ficaria lisonjeada e flertaria com ele. Foi a vergonha que irrompeu nela, fazendo-a sair em disparada. O garoto correu atrás, receoso de que ela o fosse acusar a alguma autoridade.

Suzana só queria tirar aquela calcinha. Correu para o interior da fábrica, encontrou com uma das faxineiras, conhecida dela:

– Lúcia, preciso de ajuda. Por acaso no seu armário, você não tem uma calcinha extra? Preciso trocar a minha.

– Claro. Vou pegar pra você já. A sala do seu pai está aberta. Vá pra lá, eu levo.

Nesse momento, o garoto a encontrou sozinha num dos corredores:

– Eu quero me desculpar. Não quis ofender. Eu e minha boca, por que tive de ser tão linguarudo?

Suzana queria brigar com ele, mas notou haver sinceridade, além de uma beleza inocente e pura. Ela ia testá-lo:

– Como se chama?

– Luca.

– Você faz o quê?

– Sou vendedor. Trabalho numa livraria.

– Vem comigo. É a sua forma de pagar pelos comentários contra mim.

Suzana abriu a porta da sala de seu pai, deixou-o entrar e pediu que aguardasse. Ela esperou por Lúcia no corredor. Assim que a conhecida entregou uma calcinha simples e bege, ela entrou e não trancou a porta.

De frente para Luca, ela tirou os tênis, as meias e desenrolou o shortinho. Lentamente, acompanhando toda a excitação e espanto dele, ela despiu-se da peça íntima. Caminhando de maneira sedutora e paciente, ela foi até Luca, que naquele momento parecia não respirar:

– Toma. Quero que você fique com minha calcinha. Guarde-a como lembrança.

Suzana deixou a calcinha cair no rosto do rapaz. A peça escorregou e parou no colo dele. Ela percebeu a excitação pulsante na fina bermuda:

– Como faz… se eu quiser… talvez… – balbuciou Luca. – Se eu desejar ter outra lembrança sua?

Antes que Suzana respondesse, ele se levantou e partiu pra cima dela. Só deu tempo de caírem em cima do tapete central do escritório. Por acreditar que o espaço estivesse vazio, com todos ocupados na corrida, os dois não pouparam nos gritos e nos sussurros. Por isso, rapidamente atingiram o orgasmo, não percebendo que a porta se abrira.

– Que sacanagem é essa? – Suzana, ainda de olhos fechados pelo prazer jubiloso, manteve-os assim. – Suzana Bersani, você ultrapassou todos os limites!

– Puta que pariu! Bersani? Desculpe o palavrão, foi um rompante. Você é a dona dessa corrida? – perguntou Luca, num sobressalto, vestindo-se desesperadamente.

– Cara, antes que dê problema, saia daqui. A corrida está prestes a começar. Vá se exercitar mais, se ainda se sentir capaz. – disse com deboche.

Suzana permaneceu deitada, séria, de pernas abertas, como se estivesse se recompondo:

– Que vergonha! Na sala de seu próprio pai, com um estranho, enquanto toda a família está espalhada por aqui? E se a poderosa Lina te pega?

– Ela não vem hoje. E não me importo com as opiniões alheias. Eles iam falar o que falam há anos. Que sou uma vagabunda inútil.

Após a resposta, Suzana se levantou e naturalmente circulou pela sala, recolhendo as peças de roupas e se vestindo:

– Não tem vergonha de mim? De seu primo?

– Não, Lio, nunca tive qualquer vergonha de ti, nem de mim. Embora pareça que você, logo você, que também sofre com um desprezo e um ódio de nossos familiares, esteja me julgando como nossos algozes.

– É diferente. Isso aqui é uma pouca vergonha.

– A pouca vergonha que fiz agora, foi igual a que meu tio, seu pai, fez com a sua mãe. Você é fruto de algo assim, às escondidas, dentro do império Bersani. Mas hipocritamente condena. Meu caro, é preciso rever seus conceitos. – disse Suzana, já vestida, dando dois tapas de leve no rosto do primo.

– Por que todo mundo deu para citar minha mãe hoje?– questionou Eulálio.

Sem respondê-lo, ela se dirigiu ao pátio. Sentia-se leve, apesar do pequeno embate com o primo. O que deu nos homens hoje? Todos estavam contra ela?

Ao notar que a corrida tinha começado há menos de dez minutos, ela reaqueceu rapidamente, prendeu o cabelo e partiu. Nunca ela correu tão solta e disposta. A meta era ultrapassar a maior quantidade de pessoas, principalmente os homens. Poderiam deixá-la em desvantagem. No entanto, Suzana acreditava que bastava agir para alcançar qualquer sucesso desejado.

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5 Respostas para “COMPETIÇÃO – Suzana

  1. Olá! Obrigada pelo comentário no meu blog 🙂
    Ainda não tive tempo de ler todos, mas gostei muito dos seus textos e a sua ideia é muito legal! Pretende publicar como um livro quando terminar?
    Desculpa perguntar, mas eu te conheço pessoalmente?
    Beijos
    Raiana

    • Olá! Obrigado pelo incentivo. Que bom que gostou.
      Agradeço tremendamente por ser a primeira pessoa que comentou. Não me esquecerei disso.
      É ainda muito cedo pra pensar no que fazer. Mas tenho desejo sim de publicá-los. O que busco agora é dar continuidade, desenvolver esses quatro personagens tão íntimos de mim. apesar do pequeno tempo.
      Foi muito engraçada a sua pergunta. Não, nos conhecemos pessoalmente.
      Ah, aproveito pra elogiar mais uma coisa no seu blog. Adorei o layout. Ele chama muita a atenção. Você está de parabéns.
      Bjs
      jepereira

      • Ah, eu fui a primeira? Que legal 🙂
        Eu fiz a pergunta porque não tinha assinatura e o jeito que você escreve me lembrou muito alguém e como não sabia seu nome, achei que poderia ser. 🙂
        Obrigada 🙂 eu adoro esse layout mas acho que vou mudar por causa de umas mudanças que estou planejando.
        Bjs

  2. Gostei bastante do teu blog, você escreve muito bem, as histórias… adoro o nome Susanah.
    E obrigada pelo comentário em meu blog 🙂

    Beijos e sucesso.

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